O
Ato de comunicar tem como essência a transmissão a outrem de algo que
acontece em nosso interior: sentimento, pensamento, intenção, estado de
espírito ou orientar a outrem. Portanto, o ato de comunicar supõe
essencialmente a necessidade de uma subjetividade para além da nossa. E é
para esta subjetividade transcendente a nós que queremos dar a conhecer
nossa intimidade, que queremos conhecer sua intimidade e, também,
orientar o outro para que aja de forma a buscar seu próprio bem ou que
nos oriente para que busquemos o nosso bem em consonância com os demais.
A comunicação é, portanto uma ação humana expressa mediante palavras,
gestos, símbolos, cores e sinais.
Fico
sabendo que o outro pensa, quando ele expressa, exterioriza, comunica.
Ele o faz com seu próprio corpo (expressão corporal e verbal) ou
lançando mão de recursos externos: instrumento musical, caneta, pincel,
argila e etc.
Na liturgia:
Não somente as pessoas comunicam o que trazem em seu intimo. Cada
elemento que nos rodeia nos põe em relação com o que eles representam.
Assim, o espaço celebrativo, a ornamentação, o cuidado com os objetos
litúrgicos, as atitudes dos membros da assembleia, tudo nos fala de como
é nossa fé, nossa teologia, nosso respeito em relação aos mistérios que
celebramos.
Realidades que comunicam:
Muitas as realidades que tocam nossos sentimentos, nos comunicam algo e
de certo modo provoca em nós algum tipo de reação. Segue algumas dessas
realidades, canalizando-as para o campo da liturgia:
- Palavra: é o meio mais comum da comunicação entre as pessoas. Temos que tomar cuidado com a palavra, pois ela pode ser fonte de um mal entendido, podemos usá-la para omitir a comunicação ou até mesmo conturbar a própria comunicação.
- Espaço Celebrativo: é o espaço onde se desenrola a ação litúrgica. O estilo da construção, a disposição do altar, dos bancos ou cadeiras, cada vez mais deve mostrar o rosto de uma comunidade de irmãos e irmãs que se reúnem ao redor de Cristo para celebrar sua obra de salvação.
- Ornamentação: referem-se aos objetos artísticos, pinturas, imagens e arranjos que revelam o bem gosto da comunidade e comunicam a sua mensagem.
- Vestimentas: não servem apenas para cobrir e proteger. Elas informam se é dia de festa ou de trabalho, se temos papel preciso a desempenhar na sociedade ou não.
- Objetos litúrgicos: não são apenas coisas concretas, são sinais, por isso transmitem mensagem, não somente pela presença deles, mas pelo modo como são utilizados ou conservados. A beleza da patena, do cálice e âmbulas, o formato e o acabamento das velas, as flores naturais e sua conservação, tudo isso deve concorrer para uma proveitosa celebração do memorial da páscoa.
- Símbolos: é a expressão, a manifestação de uma realidade invisível, de uma experiência profunda. Com efeito, não podemos atingir Deus diretamente, mas podemos atingi-lo pela natureza: o universo, em todas as suas expressões – ser humano, terra, água, animais, plantas, flores, astros, luz... – torna Deus presente. Em todas essas realidades está presente a marca do cria dor. Na Liturgia Cristã, o pão e o vinho, unidos à palavra de Cristo na celebração eucarística (“isto é o meu corpo... isto é o meu sangue”), tornam o Cristo presente no seio da sua comunidade. Neste caso, o símbolo – pão e vinho – torna-se sacramento cristão.
- Expressão corporal: é a comunicação do corpo. Nosso modo de olhar, gesticular, entrar na Igreja, tudo revela nosso interior. Por vezes, fazemos o sinal da cruz tão apressadamente e sem concentração, que mais parece o ato de espantar moscas! É que estamos distraídos, então o gesto torna-se mecânico. Nesse caso, há incoerência, pois falta sintonia entre o que deveríamos expressar e o que deveríamos expressar e o que de fato expressamos.
- Fonte: Estudo Liturgicos

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