Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)
Arcebispo de Belém do Pará (PA)
Cerca de 900 pessoas acompanhavam a
missa do último domingo (4), à noite, na Paróquia Santa Edwiges, no
Conjunto Panorama XXI, bairro Nova Marambaia, em Belém. Parecia ser uma
celebração eucarística tranquila, até um homem subir no presbitério e
derrubar a histórica imagem peregrina da padroeira, de 1,5 metro de
altura.
A celebração era presidida pelo padre
Antônio Mattiuz, que foi surpreendido durante a homilia, quando um rapaz
se levantou e depois de subir no presbitério, empurrou a imagem. "Foi
muito triste, porque essa é a imagem que percorre as ruas do bairro
durante nosso Círio", lamentou o devoto Jeferson Saavedra, que estava
presente no momento do fato. Ele conta que o acontecimento causou
tristeza e comoção nos paroquianos. "Todos ficaram assustados e se
levantaram na hora. Ao ver a imagem quebrada no chão, começaram a
chorar", recorda.
Após o ato lamentável, a polícia foi
acionada e o jovem identificado como Edmilson Rodrigues Borges, de 21
anos, foi conduzido à Seccional da Marambaia. Depois de relatar o
boletim de ocorrência, o Pároco de Santa edwiges, Padre Irineu Romam
afirmou que o ato foi uma grande ofensa à devoção e fé de todos os
católicos. "Devemos respeitar as diferenças religiosas e viver em
sociedade com respeito e dignidade". Há 11 anos à frente da paróquia, o
Padre conta que nunca viu algo assim. "É uma atitude de intolerância
religiosa", diz.
Ao saber do ocorrido, a mãe de Edmilson,
Marizete Rodrigues seguiu até a seccional, onde apresentou os atestados
que comprovaram que o filho sofre de problemas de saúde. Em entrevista
ao jornal O Liberal, a mãe do jovem contou que após ser solto, ele foi
levado ao Hospital das Clínicas, onde recebeu medicação e em seguida foi
levado para casa. A mãe lamentou dizendo que se sentiu muito mal pelo
incidente, por toda família ser católica.
O Pároco acredita que os motivos que
levam uma pessoa a ter esse tipo de comportamento "muitas vezes são
consequência de incentivo de lideranças de outras religiões, que os
obrigam a este tipo de intolerância. Que por mais que a pessoa tenha
qualquer tipo de problema mental, age com uma firme intenção".
Vale lembrar que desrespeitar
publicamente um ato ou objeto de culto religioso, assim como impedir ou
perturbar cerimônia ou prática de culto religioso, é crime, de acordo
com o Decreto Lei nº 2.848, Artigo 208, do Código Penal. O crime prevê
pena de detenção de um mês a um ano, pagamento ou multa.
Padre Irineu relata que os católicos são
muito perseguidos. Esses fatos são especialmente notados durante as
peregrinações, quando os grupos da paróquia percorrem as ruas do bairro
com 137 imagens, "é expressiva a discriminação aos católicos. Não temos
que quebrar imagens. Temos é que quebrar orgulho, inveja e mentira", diz
o padre.
Há 15 anos participando de atividades na
paróquia, também é a primeira vez que Maria José presencia uma cena
como esta. "Todos ficaram sem ação na hora. Foi um alvoroço. Muita gente
chorando...", conta.
Fonte: CNBB
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