Não
tenho como discordar das palavras de Dom Antônio.
Em se
falando de Iniciação Cristã, podemos dizer que estamos apenas engatinhando e
como toda criança que engatinha, até se firmar, leva alguns tombos. O
importante é prosseguirmos incansavelmente, como a “mãe” que com paciência, carinho,
levanta a criança, toma-a pela mão, a
conduz até que caminhe com segurança.
Todo esse processo, leva tempo.
A Iniciação
à Vida Cristã, o resgate da catequese em estilo catecumenal, não é a “moda do momento e sim uma resposta
ao clamor do povo: “Queremos ver Jesus”.
Assim,
como Dom Antônio, também alimentamos a esperança de que acontecerá uma total
virada na condução do processo da educação da fé de nosso povo. Estamos
caminhando pra isso. Avante!
*Por Dom Antônio Possamai
Iniciação à vida cristã
Não sou especialista em catequética.
Apenas tenho algumas convicções que se baseiam na leitura que faço da história
atual da nossa Igreja. Ao longo da minha vida pastoral tentei algumas
experiências no sentido de dar outra direção no processo de educação na fé,
valorizando a iniciação cristã. Estas experiências nem sempre tiveram tanto
êxito, mas algumas foram promissoras e gratificantes.
Continuo alimentando a esperança de que
um dia acontecerá uma total virada na condução do processo de acolhida e
introdução do povo na nossa Igreja, bem como no processo de educação da fé.
UM POUCO DA REALIDADE
Muito se tem escrito sobe o tema da IC
nestes últimos anos. O DNC dedica bom espaço para o tema. Entretanto, a
caminhada vai prosseguindo muito lentamente. Nossa Igreja do Brasil continua
teimando em acreditar numa história que comprovadamente não tem dado certo.
Falta coragem eclesial para dar uma virada.
Teima na prática de catequeses
pontuais, em vista dos sacramentos; não em vista da vida cristã, da união entre
fé e vida.
Até mesmo a cúpula da Igreja se
preocupa muito mais com dados estatísticos do que com a qualidade dos
católicos, embora o Magistério da Igreja seja insistente no apontar a
necessidade de fé mais comprometida com a vida. Evangelli Nuntiandi poderia ter
sido o grande passo para esta mudança. Este documento reprova uma catequese de
tipo “verniz superficial”.
Tomo a liberdade de citar alguns
exemplos do nosso tradicional comportamento nesse campo, comportamento muito
distante de uma iniciação cristã: continuamos batizando crianças sem nos
preocuparmos se há condições para entender que o Batismo deve ser uma resposta
a um chamado e sem entender o alcance e as consequências deste sacramento:
continuamos com a “catequese” de primeira Eucaristia e só, sem estarmos atentos
ao “antes” e ao “depois”, embora bastante atentos ao “dia”: roupa, filmagens,
fotografias, um pouco de atenção à liturgia, à festa na família e outros
detalhes. O “antes”é a vida familiar, social, eclesial do candidato. O “depois”
é a caminhada do eucaristizado dentro da comunidade.
Idem para a catequese de crisma.
Crisma-se quando o candidato concluiu o programa e, normalmente, baseados
unicamente no testemunho do catequista, excluída a comunidade que não
acompanhou o candidato na sua caminhada eclesial e social. Quase nenhuma
catequese para o Sacramento do Matrimônio, para os poucos que ainda procuram
este sacramento. Enfim, falta-nos a visão e o compromisso de “educar para viver
a fé”, educação que se projete em todas as circunstâncias da vida: familiar,
eclesial, social, empresarial, política, jurídica, etc. e que estenda para toda
a vida.
Fica então bem claro que dá para
entender porque temos um catolicismo tão insignificante e tão dividido. Vejamos
alguns exemplos: como no queixarmos de que não temos vocações para os mais
diversos ministérios consagrados ou leigos na Igreja se não fornecermos aos
nossos católicos uma iniciação cristã que os leve a um encontro e a uma
iniciação cristã que os leve a um encontro e a uma decisão pessoal com Cristo e
com sua Igreja? Como nos queixarmos de que tenhamos tantos governantes dos três
poderes constitucionais, tantos empresários tão injustos e tão corruptos se não
os educamos na fé? Como nos queixarmos de que não os educamos na fé? Como nos
queixarmos de nossa juventude e nossos casais não valorizam o Sacramento do Matrimônio,
e a família vai desmoronando?
O que é que nos preocupa como
missionários? O número ou a qualidade dos cristãos católicos?
Fonte: Revista Catequese nº 132-outubro-dezembro 2010- Unisal
Páginas 26 e 27
Por Imaculada Cintra
Por Imaculada Cintra
Disponível em: Blog Catequese e Bíblia

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