É sempre uma
alegria poder compartilhar numa rede interativa de formação e informação
como esta. A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação
Bíblico-Catequética vem primando e acentuando cada vez mais, estes
espaços criativos de comunicação. Sejamos, de fato, verdadeiros
servidores e comunicadores da Palavra. Neste quadro de diálogo e
reflexão, convido você, querido CATEQUISTA, a ler e refletir alguns
Textos Bíblicos, onde acentuam o ENCONTRO e o DIÁLOGO como referenciais
marcantes para o despertar da fé.
O Ano da Fé
será para todos nós, uma oportunidade de buscar, na Palavra de Deus, as
razões pelas quais professamos nossa fé. Também, nesta mesma linha de
compreensão vem o novo Sínodo dos bispos, convocados pelo Papa Bento
XVI, para este ano (2012), ao falar da Nova Evangelização para a
transmissão da fé cristã nos alerta que “o contexto no qual nos
encontramos pede, às Igrejas locais, um novo impulso, um novo ato de fé
... Num momento em que a escolha da fé e do seguimento de Cristo é menos
fácil e pouco compreensível e, até por vezes, contrastada e combatida,
aumenta a responsabilidade da comunidade e dos cristãos de serem
testemunhas e arautos do Evangelho, como o fez Jesus Cristo (Cf. Sínodo
dos Bispos, XIII Assembleia Geral Ordinária para a Nova Evangelização
para a transmissão da fé cristã. Lineamenta, 2011, no 16).
A catequese é o
espaço do aprofundamento e vivência da fé. Todavia, o crescimento da fé
é um processo iniciático e permanente. Perpassa o caminho da conversão,
da interiorização progressiva de atitude de fé, e conduz para
maturidade da fé, em dinamismo sempre aberto para o ideal do adulto na
fé.
O primeiro
texto que vamos refletir nesta coluna é do evangelista São João capítulo
1, 35-51, a narrativa assim chamada “Os Primeiros Discípulos”. O texto
acentua, de forma gradativa, o processo da descoberta da fé num encontro
dialogal. O estar com o Mestre, ir e ver, permanecer com Ele, num
processo dialogal, é o primeiro passo para a descoberta da fé.
Passos da Descoberta da Fé segundo a narrativa de São João (1, 35-51)
1. Testemunho
da fé: A primeira informação na perícope é de que o catequista João
Batista, aquele que recebeu a missão de preparar o caminho para a vinda
de Jesus (Jo 1, 19-34; Mc, 3, 1-12; Lc 3, 3-18; Mt 3, 1-12), é o que dá
testemunho sobre quem é Jesus e O aponta para os demais: Aí está o
cordeiro de Deus. É esta frase de João Batista que abrira os olhos e os
corações dos dois discípulos de João. O curioso é que eles tomam a
iniciativa, sem esperar que Jesus os chame. Eles entram no caminho onde
suas vidas serão mudadas e passam a ser testemunhas para muitos outros.
Apontar caminhos é missão do catequista. No texto, a vocação catequética
é despertada a partir do testemunho do profeta. Despertar o gosto e a
alegria de ser catequistas em outros novos catequistas.
2. Busca
e procura: O seguir Jesus ou ser catequista, nasce de uma busca, de um
desejo. O que estais procurando? Nos momentos decisivos de nossas vidas
estamos sempre repetindo esta pergunta central: “O que estou
procurando?”O que estamos procurando?. Responder a esta pergunta num
momento de “mudanças de épocas” não é fácil. Leva tempo e revisão de
vida. Pois, quem deseja ser discípulo missionário do Mestre, há que
aprender a colocar-se na dinâmica do caminho. Chamar Jesus Cristo de
Mestre é aceitar todos os riscos da caminhada.
3. Desejo
de conhecer: Mestre onde moras? Vinde e vede! Os discípulos têm o
desejo de conhecer o Mestre. Eles querem criar laços de fraternura com
Jesus, por isso perguntam: Rabi, onde moras?. Eles querem permanecer com
o Mestre. Foram, viram onde Ele morava e permaneceram com Ele aquele
dia (Jo 1,39): O texto nos aponta para um precioso itinerário
iniciático. Recordar a experiência do chamado à vocação de catequista
nos situa no cerne da experiência do chamado de Deus e das condições
necessárias para segui-lo e conduzir a Ele outros que constantemente
solicitam de nós: Queremos ver Jesus (Jo 12,21). Interessante observar
que o verbo permanecer é típico da comunidade joanina. Ele aparece no
evangelho desde o capítulo 1, e no capitulo 15 alcança seu auge. Aquele
que permanece em mim e eu nele produz muitos frutos, diz Jesus (Jo 15,
5). O permanecer em Jesus possibilita o amadurecimento da fé e o cultivo
da espiritualidade, no seu amor e de amar os outros com o próprio amor
de Jesus. Neste sentido, a fé para a comunidade joanina é um processo
dinâmico, como o veremos em outras narrativas deste evangelho. A
descoberta e a experiência da fé na comunidade joanina, é modelo para
nossa catequese iniciática que tanto almejamos no hoje de nossa
história. Ou seja, é necessário hoje refazer o processo da fé, passar de
uma fé infantil para uma fé madura. Isso requer, dos catequistas, a
dinâmica relacional.
4. Encontrar
e Seguir: Encontramos o Messias... Aquele de quem escreveram Moisés, na
Lei, e os profetas... Procuraram e encontraram alguém que os convenceu e
seduziu. Resolveram caminhar na vida ao lado dele. Que significa seguir
e professar a Fé em Jesus? Vamos concentrar nossa atenção na descoberta
vocacional de Natanael. Veja, ele estava embaixo da figueira, talvez
meditando e rezando a Bíblia, conforme o costume de muitos judeus. Estar
em contado com a Palavra de Deus é um bom começo para o despertar da
fé. Como é que Jesus viu Natanael? Jesus lhe promete que verá coisas
maiores. Quais, por exemplo? No v. 51, Jesus passa do tu para o vós. Por
que será? Acontece também a nós percebermos coisas cada vez maiores à
medida que seguimos a Jesus? Não seria esse um dos primeiros passos para
o despertar da fé? No entanto, isto só será possível na convivência
com Jesus. Se querem saber onde Ele mora, precisam ir e ver. Ele está
onde veio morar (cf. Jo 1,14), isto é, entre nós, no meio do seu povo.
Daí a necessidade não só da informação, mas da experiência pessoal.
5. O
testemunho fala mais do que as palavras: João resume em poucos traços o
início do processo e maturação da fé: há um testemunho que nos convence
e é convite a levarmos a sério a procura por algo mais, por uma
experiência de intimidade com a Palavra, com Jesus. As circunstâncias
podem ser diversas: na mesmice ou no esmagamento do dia a dia; em
momentos fortes de dor ou de alegria, de temores ou de esperanças; no
empenho por uma sociedade diferente; no círculo bíblico, grupo de
oração, sindicato ou associação; em momentos de silêncio interior e de
prece, na comunidade que celebra ou em casa. Aí, resolvemos permanecer
com Jesus. Crer nele, aderir a seu projeto, é a decisão básica de nossa
vida. A seu tempo, o permanecer com se tornará permanecer em Jesus, como
ainda veremos. O Senhor passará a ser nosso ponto de referência, o
centro de nossos projetos. O texto não é só relato de uma caminhada
pessoal. Resume como a comunidade joanina começou em sua disposição
para o crer, permanecer, seguir, professar a fé e testemunhar. Em nossa
catequese, testemunhamos o Cristo que professamos e anunciamos?
Ir. Maria Aparecida Barboza,
Religiosa Consagrada da Congregação
das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Fonte: Blog Catequese e Bíblia
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